Indústria 4.0 e precariedade num cenário de contrastes

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Segundo o último relatório publicado em 2017 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), cerca de 5,5 bilhões de pessoas ao redor do planeta, ainda não têm acesso ao saneamento básico. Somente no Brasil, são muitos milhões de habitantes. Esses dados fazem parte de um alerta mundial emitido pelas entidades citadas, para que os governos invistam em saneamento.

De acordo com a responsável pelo Departamento de Saúde Pública na OMS, Maria Neira, no Brasil há alguns avanços nos últimos 15 anos, mas existem grandes desigualdades entre as regiões mais pobres e as mais ricas do País, e computa esse quadro como um grande problema.

Sabendo que Brasil é um dos países com o mais baixo nível de saneamento básico na América Latina é possível buscar saídas com o avanço da tecnologia. Em todo mundo, além da aplicação de soluções e inovações tecnológicas, realizam-se estudos sobre automação no setor e Indústria 4.0, para planejar o futuro e desenvolvimento urbano, ou seja, acolher a tecnologia apropriada é de suma importância para o desenvolvimento.

Destacaremos algumas soluções viáveis para o avanço do setor.

Automação hidráulica no saneamento

Hoje em dia existem muitos equipamentos, programas e aplicativos dedicados à automação, e isso favorece a implementação de sistemas que ajudam no aumento do controle das operadoras e auxiliam na redução de custos. A automação possibilita redução no índice de perdas físicas através de monitoramento em tempo real, gerando menos custos operacionais e com insumos.

Já é possível automatizar todos os processos de uma concessionária, possibilitando assim, total controle operacional em apenas uma unidade, concentrando uma quantidade maior de informações, com maior velocidade de atualização e correção de problemas. Essa tecnologia possibilita gerenciamento através de relatórios, gráficos e programação de alarmes em caso de algum desvio, gerando filtros para garantir a conformidade de cada setor.

O processo de automação no saneamento gera diversos benefícios, vamos destacar alguns deles:

A Indústria 4.0

A quarta revolução industrial, conhecida como “Indústria 4.0” cria uma demanda chamada de “fábrica inteligente”. O processo é caracterizado por combinar diversas tecnologias e vêm ganhando espaço nos últimos anos, com a transformação digital e criando tecnologias habilitadoras.

No Brasil e em todo o mundo, existe um interesse crescente e estratégico pelo tema. Afinal são oportunidades para conhecimento científico e tecnológico. Hoje há interesse pela Indústria 4.0 não só por empresas, mas também por governos, instituições de pesquisa científica e tecnológica. Com essa tecnologia temos inteligência artificial tomando decisões mais rápidas e precisas, com base em modelos virtuais dos processos.

A indústria 4.0 vem crescendo mundialmente e no Brasil, apesar de pouco conhecida, já existe incentivo do governo para disseminar o conceito. Esse progresso tecnológico traz mudanças profundas nas indústrias. Os ganhos são expressivos em relação a produtividade, economia e manutenção, já que todo o processo acontece de forma eficiente seguindo as necessidades da demanda. Isso pode ser convertido em crescimento.

Essa “revolução” é a transformação digital da fabricação. Tecnologias como Internet das Coisas (IoT), Big Dada, Big Data Analytics, Criptografia, Rastreabilidade, Realidade aumentada, Dados na nuvem (Cloud), visão artificial, entre outras, são usadas como aceleradores para otimização e automação para elevar a indústria a um próximo nível.

Essa realidade é impulsionada por grandes mudanças no mundo industrial produtivo, como o avanço extraordinário da capacidade dos computadores, a digitalização da informação e a inovação das estratégias, seja por pessoas, pesquisas ou de tecnologia.

Compreendendo essa evolução dos sistemas de produção industrial, temos alguns benéficos já estudados como redução de custos, de erros e desperdício, economia de energia, aumento da segurança e transparência nos negócios além da conservação ambiental.

Quando pensamos em internet na indústria e no meio produtivo, devemos entender que todos os equipamentos e máquinas estão conectadas em redes e disponibilizando informações de forma única.

A Internet das Coisas, como comentado anteriormente, é conceito tecnológico em que todos os dispositivos relacionados ao ambiente produtivo, são conectados à internet, interagindo de modo inteligente. É a fusão do mundo digital com o mundo real. Sensores, transmissores, computadores, células de produção, sistema de planejamento produtivo, diretrizes estratégicas da indústria, informações de governo, clima, fornecedores, tudo sendo gravado e analisado em um banco de dados.

A redução de custo dos sensores que geram a conectividade, dispositivos de criação de dados através de softwares inteligentes, e as novas tecnologias de segurança, estão gerando avanços e estão colaborando para que a IoT ingresse cada vez mais no meio produtivo.

Como essa tecnologia faz parte do nosso cotidiano?

Soluções criativas e inovadoras já fazem parte da nossa realidade. Essa nova tecnologia é essencial para tornar os serviços de saneamento básico eficiente.

Tal inovação está mais próxima do que imaginamos. Sim, já está presente em grandes concessionárias, como a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que desde 2010 trabalha com uma Superintendência de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico, Inovação e Novos Negócios e tem convênio com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) que destinará R$ 50 mi até 2029 para financiamento de projetos de centro de pesquisas e universidades.

A ideia é criar processos e trazer novas tecnologias para eliminar a dependência de fornecedores externos, como um sistema de microfones que trabalham na identificação de vazamentos na rede de água sem necessidade de deslocamento de uma equipe.

A tecnologia permite acompanhar o consumo e prevenir perdas.

É possível “ensinar” uma máquina a prever perdas no processo de abastecimento com o auxílio da tecnologia para acompanhamento do consumo e armazenando na nuvem, graças ao conceito de transformação digital. Isso permite manutenção preventiva e colabora para a eficiência no abastecimento.

Em algumas cidades brasileiras, as perdas podem chegar à 40% durante o processo de distribuição e o uso dessa tecnologia com sensores inteligentes conectados à IoT possibilita a identificação e/ou prevenção dessas perdas. Essa novidade é usada para garantir uma melhora significativa na distribuição de água potável, por exemplo. Sensores são utilizados para gerar dados sobre o consumo e criar relatórios online para análise, possibilitando uma precisa medição de água e identificando desperdício. Deste modo, é possível projetar um aumento de demanda e planejar melhor a ampliação do fornecimento.

Essa tecnologia também permite acompanhamento em tempo real, através de um aplicativo de celular ou computador, possibilitando que o consumidor final também possa verificar o seu consumo e identificar alguma disparidade, recebendo alertas via e-mail ou SMS. Com isso, é possível identificar vazamentos ou desperdícios antes que chegue a conta seguinte, gerando mais economia.

O conceito dessa transformação busca unir tecnologias como a IoT, Cloud e aprendizado de máquina, para fazer com que todo o processo industrial esteja totalmente conectado. Isso é economicamente importante, pois aumentam a eficiência, a produtividade e os ganhos.

Estamos seguros com tantas informações e dados online?

Quando o assunto é segurança de dado pessoal, devemos lembrar dos recentes acontecimentos nos quais dados foram utilizados indevidamente para manipular determinada parte da população ou para obter vantagem econômica. Aqui no Brasil existe a Lei no 13.709/2018 (Lei Brasileira de Proteção de dados LGPD), que altera o arco Civil da Internet, e estabelece regras sobre a coleta, tratamento, armazenamento e o compartilhamento de dados pessoais gerenciados por organizações. A legislação faz uma adequação progressiva do Brasil às práticas globais de gestão de dados.

Com essa sanção, as empresas terão até 18 meses para se adequarem às novas regras. As empresas que não cumprirem as novas regras receberão multas, que podem chegar a 2% de seu faturamento, com um limite de R$ 50 milhões por infração.

Temos alguma solução?

Mesmo com novas tecnologias, estamos muito aquém do que deveríamos. Cinco anos após o Brasil se comprometer a universalizar o acesso a água potável, ainda temos mais da metade da população sem acesso a este recurso.

Com poucos avanços, o Brasil ainda trata apenas 44,9% do esgoto. Isso significa que 5,2 bilhões de metros cúbicos são despejados na natureza sem tratamento. Com números alarmantes, houve uma evolução de 7,4% em relação a 2011.

Em 2016, 35 milhões de brasileiros ainda não tinham acesso a água potável, um crescimento de apenas 0,9% em relação a 2011.

Por conta da falta de infraestrutura brasileira, não é difícil encontrar pessoas que vivem em regiões com esgoto a céu aberto e sem água encanada e isso ajuda a proliferar doenças.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2017 haviam 2.276 poços rasos, freáticos ou cacimbas, mais de 12% de aumento com relação ao ano anterior. “O Brasil é um país que nunca investiu muito em saneamento. Sempre foi um setor no qual foram buscadas alternativas locais. Então, as pessoas criavam fossas, poços, esse tipo de alternativa que acaba gerando problemas de saúde”, afirma a especialista em infraestrutura, Ilana Ferreira, da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O governo federal afirma que com as mudanças do novo Marco Regulatório do Saneamento Básico, criado para ajudar a cumprir as metas no Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), não será possível atingir a meta de levar as redes de abastecimento de água e coleta de esgoto a toda a população das cidades brasileiras até 2033, pois seriam necessários investimentos de R$ 304 bilhões, segundo a chefe da assessoria especial da Casa Civil da Presidência da República, Martha Seillier.

A Medida Provisória 844 altera a Lei no 11.445/2007 (Política Nacional do Saneamento Básico) para obrigar os municípios a consultarem o setor privado antes de prorrogar seus contratos de concessão dos serviços de saneamento.

Como pode ser visto, investir em saneamento, significa não apenas aumento de qualidade de vida, mas sim crescimento econômico, uma vez que a falta de investimento gera consequências contra a população e demandam grandes recursos do governo para reparação dos danos.

As futuras gerações, representadas por esse cenário da Vila Cidadã no 8o fórum Mundial da Água (foto de Jorge Cardoso) contam com os investimentos tecnológicos, com a visão humanitária sobre a importância da água para a vitalidade do Planeta e essencialmente com uma vontade política séria e contundente.

O sonho da universalização do saneamento ainda não acabou. Mas a Medida Provisória para revisar o Marco Legal do Saneamento merece um acompanhamento de perto para não desestruturar o setor, permitindo que regiões com poucos recursos sejam ignoradas com o impedimento de subsídios cruzados.

Uma mobilização das maiores concessionárias do País (Sabesp/ SP, Sanepar/ PR, Copasa/ MG e Embasa/BA) no auxílio às de menor porte, principalmente na estruturação de Planos de Saneamento e negociação com os governos dos seus estados, também seria uma dinâmica muito bem vinda.

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